A diferença entre defeito de fabricação e mau uso não é opinião: ela aparece no padrão de desgaste, no histórico de manutenção e na análise da superfície de fratura.
Quase todo litígio de garantia gira em torno da mesma pergunta: o defeito já existia quando o produto foi entregue, ou surgiu pelo modo como ele foi usado?
O que a evidência física mostra
Um componente que falha por defeito de fabricação costuma apresentar uma assinatura própria. Inclusões no material, porosidade, tratamento térmico irregular e erro dimensional deixam marcas identificáveis na superfície de fratura.
- Fadiga com origem em um único ponto e marcas de praia bem definidas sugere concentrador de tensão de projeto ou fabricação
- Desgaste abrasivo generalizado sugere contaminação ou falta de lubrificação
- Deformação plástica acentuada sugere sobrecarga em serviço
O histórico pesa tanto quanto a peça
Notas fiscais de revisão, quilometragem nas datas de manutenção e o intervalo entre a entrega e a primeira reclamação formam uma linha do tempo. Quando essa linha é curta e o uso foi normal, o ônus técnico se desloca para o fornecedor.
A conclusão pericial precisa ser reprodutível: outro engenheiro, com os mesmos dados, deveria chegar ao mesmo resultado.
O que levar ao perito
Guarde a peça danificada, não autorize o descarte pela oficina, fotografe tudo antes de qualquer desmontagem e reúna o histórico completo de manutenção. Evidência descartada não volta.
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